Fechado há um ano e meio, o mirante do Martinelli continua sem turistas, sem projeto e sem prazo para reabrir

O mirante do Martinelli. Foto Tiago Queiroz/Estadão

O edifício Martinelli é um dos melhores pontos para ver a cidade de cima. Tem uma vista sensacional do centro, tem a incrível história do edifício que já foi o mais alto de São Paulo  e ainda é grátis. Ou melhor, era. Porque o mirante continua fechado.

 

O fechamento aconteceu em março de 2017, após uma  tragédia em que um rapaz caiu lá de cima. Desde então, não há notícia oficial sobre o destino do local.

Mandei uma mensagem para a Secretaria de Comunicação da Prefeitura e para a Secretaria de Urbanismo, que é a responsável pelo prédio, para ter certeza. Recebi a confirmação de que não há projeto, nem prazo para a reabertura.

Na foto de Hildegard  Rosenthal, na década de 1940, o Martinelli desponta imponente no centro.

É claro que há coisas mais prementes no Brasil e na cidade. Mas vale a pena lembrar que lugares como esse são parte da nossa memória e são pontos turísticos que deveriam ser valorizados.

Eu levei meus filhos lá para cima, quando eram pequenos, e a visita valeu ótimas conversas. Na saída, é só atravessar a praça Antonio Prado e o programa fica completo com os inevitáveis doces portugueses da Casa Matilde.

A praça Antonio Prado, vista de um dos andares intermediários do edifício Martinelli. Foto: M.Calliari

Na verdade, a Prefeitura poderia colocar uma lanchonete lá em cima do mirante; também poderia promover quele simpático ascensorista que contava histórias do prédio a guia oficial; poderia colocar vidros de proteção como no Terraço Italia ou lunetas como no Empire State Building, em Nova York.  Poderiam até pensar em cobrar ingresso, se isso fosse melhorar a experiência dos turistas. Mas preferiram não fazer nada mesmo, e um ano e meio já se passou.

 

O pior de tudo é que o mirante só havia sido reaberto em 2010, depois de três anos de reformas. E, depois de sete anos aberto, fechou de novo. Numa outra ironia, o Martinelli abriga a Secretaria de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo, o que quer dizer que os arquitetos e técnicos que poderiam fazer um projeto estão a um elevador de distância.

É triste ver que algo que está ali, prontinho para fazer, a custo irrisório, com alto valor simbólico, mas que sucumbe diante de prioridades difusas e burocracias.

Há sempre uma razão para algo não ser feito, mas o fato é que o mirante do Martinelli vem se juntar ao Museu do Ipiranga, que continua fechado depois de quatro anos, sem que a reforma tenha sequer começado, para nos lembrar que dá trabalho manter aquilo que construímos.

 

 

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